Atleta Letícia Andres/Foto-Reprodução: Badminton Pan Am
Aos 18 anos, Letícia Andres vive um dos momentos mais desafiadores de sua jovem carreira. Dividida entre o início da trajetória na categoria adulta do badminton e a rotina acadêmica, a atleta concilia treinos intensos com duas graduações simultâneas, enquanto acumula experiências e conquistas internacionais. Com forte apoio familiar, a promessa do esporte brasileiro busca manter o desempenho tanto nas quadras quanto nos estudos.
A AMOB e o apoio da família desde a infância
Atleta da Associação Meio-Oeste de Badminton (AMOB), Letícia iniciou no esporte aos cinco anos dentro de um projeto fundado por seu pai, Anderson Andres, e seu avô, Edemar Pinto. Localizada em Joaçaba (SC), a AMOB reúne mais de 200 atletas, promove a modalidade em escolas públicas e se consolidou como referência em Santa Catarina, sendo hexacampeã estadual.
O vínculo familiar sempre foi determinante na trajetória da jogadora. O pai atua como treinador desde os primeiros passos, com quem mantém uma relação próxima dentro e fora das quadras. A mãe, Andrea Pinto, acompanha a filha nas competições e exerce papel importante como conselheira. Já o avô foi responsável por despertar um dos maiores sonhos de Letícia: disputar um Campeonato Mundial.
“Meu avô sempre falou que ia disputar o mundial, infelizmente ele faleceu em 2013, e foi assim eu vou ser convocada para o mundial, porque ele falou e vou ser. Então essa convocação mundial foi por ele e tudo é por ele”, contou.
O desejo se concretizou em 2025, quando a jovem representou o Brasil no Mundial Júnior, na Índia.
Pódios e participações internacionais
Além da participação no Mundial Júnior, Letícia já soma resultados expressivos no cenário internacional. Em 2025, conquistou a medalha de bronze com a seleção brasileira Sub-19 no Pan-Americano e o ouro no Sul-Americano.
A conquista mais marcante, no entanto, veio no Mundial Escolar de 2024, no Bahrein. Ao lado de Eduarda Prates, Letícia garantiu o bronze nas duplas femininas, em uma campanha que superou as expectativas iniciais.
“Quando estávamos nas quartas, vi que não iríamos pegar uma dupla forte. Liguei para o meu pai falando que a gente ia conseguir a medalha e ele ainda achava difícil, mas tinha certeza que ia conseguir. Depois que ganhamos foi uma sensação incrível”, relembrou.
Irmã mais velha cheia de orgulho
O badminton também une a família dentro das quadras. O irmão mais novo, Lucas Andres, segue os passos da irmã e já se destaca na modalidade. A relação entre os dois é marcada por troca de experiências e admiração mútua.
“Quando o Lucas era menor, me idolatrava e agora que ele cresceu, eu que estou idolatrando ele. Está treinando todos os dias, muito focado e conquistando tudo nos nacionais. Se antes ele queria ser igual eu, hoje eu quero ser igual a ele”, comentou.
Conciliando os estudos e o badminton
A rotina de Letícia exige organização e disciplina. A atleta treina entre quatro e seis horas por dia, com sessões distribuídas entre manhã, tarde e noite, incluindo preparação física e fisioterapia. Paralelamente, cursa duas graduações: fisioterapia, de forma presencial, e educação física, no formato online.
Mesmo diante do dia-dia intenso, a jovem mantém o compromisso com os estudos. Em março deste ano, durante o Brazil International Challenge, Letícia estudou para uma prova, enquanto acompanhava os jogos no Ginásio do Paulistano e o resultado foi positivo.
“Mesmo durante a competição eu peguei um caderninho e tive que estudar para uma prova de anatomia. No final, eu ainda fui bem tirei nove”, contou.
Primeiros passo na categoria principal e o futuro
Desde o fim de 2025, Letícia iniciou sua transição para a categoria adulta e já soma resultados relevantes em nível nacional. Ao lado de Juliana Murosaki, conquistou uma medalha de prata e um bronze nas duplas femininas, além de dois títulos na simples feminina B.
O próximo objetivo é alcançar o topo da simples feminina A. Para o futuro, a atleta ainda avalia os caminhos, mas mantém o desejo de seguir no esporte, seja como jogadora ou atuando com atletas.
“Ainda não decidi, porque é muito cedo, mas eu sempre quis trabalhar com atletas. Então quero seguir na área do esporte. E claro quero ser uma atleta olímpica, vou continuar treinando, me esforçando e esperando por uma oportunidade na seleção, mas estou tranquila com relação a isso”, afirmou.
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São Paulo, 27 de abril de 2026
João Pedro Camacho