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Badminton e psicologia: a importância da preparação mental dentro e fora de quadra

Foto-Reprodução: Alexandre Loureiro/COB

A preparação psicológica vem ganhando cada vez mais espaço no esporte de alto rendimento. Em meio às cobranças por resultados, à pressão das competições e às expectativas de diferentes setores, atletas precisam lidar não apenas com as exigências físicas e técnicas, mas também com os desafios emocionais que acompanham a carreira esportiva.

No badminton, modalidade marcada pela velocidade das jogadas e pela necessidade de decisões rápidas, o aspecto mental pode influenciar diretamente o desempenho. A pressão em partidas equilibradas, a reação após erros e a capacidade de manter a concentração são alguns dos fatores que tornam o acompanhamento psicológico uma ferramenta importante para os atletas.

No Clube Atlético Paulistano, o trabalho com a psicologia passou a integrar a rotina do badminton em abril de 2026. A iniciativa é conduzida pela psicóloga Julia Stephanie, que acompanha os jogadores durante as competições de forma online, observa os comportamentos apresentados em quadra e desenvolve estratégias nas sessões realizadas posteriormente.

A pressão nos momentos decisivos

A importância da preparação mental também é percebida pelos próprios atletas. Em entrevista ao Badbrothers, Davi Silva, atleta da Seleção Brasileira e do Paulistano, destacou a influência do aspecto psicológico nos confrontos internacionais. 

“Às vezes nós temos a vantagem no placar contra adversários do Canadá e dos Estados Unidos, mas eles têm um mental muito forte que faz com que eles consigam manter a excelência técnica e virar o jogo”, afirmou Davi ao Badbrothers.

O relato mostra como a vantagem no placar nem sempre é suficiente para garantir uma vitória. Em partidas equilibradas, a capacidade de manter o desempenho técnico sob pressão pode ser decisiva, o que reforça a importância da preparação psicológica. 

Para Julia Stephanie, parte desse processo está em mudar a maneira como os atletas avaliam o próprio desempenho. Mais do que observar o placar, a psicóloga busca direcionar a atenção para as atitudes e decisões tomadas durante os jogos.

“Sempre viso ensinar os atletas a não focarem apenas no resultado, mas no comportamento dentro de quadra. Não é só o placar bom ou ruim, mas como estão reagindo com relação ao erro, à frustração, à vitória, à tomada de decisões”, explicou Julia ao Badbrothers.

Ansiedade e autocobrança

A ansiedade competitiva, a tomada de decisões e a autocobrança estão entre os temas trabalhados nos atendimentos psicológicos. Em um esporte no qual cada ponto pode alterar o rumo de uma partida, administrar as emoções também faz parte da preparação.

Segundo Julia, o objetivo não é impedir que os atletas sintam ansiedade ou frustração, mas ajudá-los a reconhecer essas emoções e competir mesmo diante delas. A cobrança costuma partir principalmente dos próprios jogadores, embora o ambiente familiar também possa exercer influência.

Para lidar com momentos de instabilidade, a psicóloga trabalha estratégias como o autodiálogo, a respiração e a atenção à postura corporal. A proposta é ajudar os atletas a recuperar o foco e direcionar a concentração para cada ponto, sem se prender excessivamente ao placar ou aos erros anteriores.

“Gosto muito de ensinar a usar o autodiálogo, passo estratégias de respiração para retornar à concentração, ajustar a postura corporal”, contou.

A dinâmica acelerada do badminton exige que os jogadores reajam rapidamente a cada troca, sem permitir que erros anteriores comprometam as decisões seguintes. 

Formação que vai além das quadras

O acompanhamento psicológico no Paulistano também considera a trajetória dos atletas mais jovens. Além das exigências esportivas, Julia procura compreender os interesses dos jogadores fora do badminton e estimular a construção de objetivos que não dependam exclusivamente de uma carreira na modalidade.

“Trabalho o que eles gostam além do badminton. Caso não se desenvolvam no esporte futuramente, terão outras opções para seguir”, afirmou.

A proposta considera as incertezas de uma carreira esportiva, especialmente durante a formação. Ao ampliar os interesses e as perspectivas dos jovens, o trabalho busca evitar que o desempenho nas competições seja o único parâmetro para avaliar o próprio futuro.

A relação entre visibilidade e pressão

Outro fator presente na rotina dos atletas é a exposição pública. Diferentemente de esportes com grande alcance nacional, o badminton ainda tem visibilidade limitada no Brasil. Para Julia, esse cenário tem efeitos distintos: se, por um lado, reduz a cobrança externa, por outro, mantém a modalidade distante de uma parcela maior do público. 

“Tem os prós e contras da falta de visibilidade. Um dos pontos positivos é que não chega essa cobrança e deixa o esporte mais leve”, avaliou.

Entre a vantagem no placar e a vitória, fatores que vão além da técnica podem mudar o rumo de uma partida. A percepção de Davi Silva e o trabalho desenvolvido por Julia Stephanie mostram como a preparação mental faz parte dos desafios enfrentados pelos atletas, tanto nos treinamentos quanto nas competições internacionais. 

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São Paulo, 7 de outubro de 2026

João Pedro Camacho

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