Criado pela Federação Mundial de Badminton (BWF) em 2019 para levar o esporte além dos ginásios, o AirBadminton vem conquistando espaço em diferentes países e já colocou o Brasil entre as principais potências da modalidade. Com regras adaptadas para ambientes abertos, uma peteca desenvolvida para resistir ao vento e até disputas em trios, a versão ao ar livre do badminton apresenta características próprias e resultados expressivos para os brasileiros no cenário internacional.
O que é o AirBadminton?
Diferentemente do badminton tradicional, que é praticado em ambientes fechados para evitar a interferência do vento, o AirBadminton foi desenvolvido para ser disputado ao ar livre. A modalidade pode ser praticada em superfícies como areia, grama ou piso duro, mantendo o principal objetivo do esporte: fazer a peteca tocar o chão da quadra adversária após ultrapassar a rede.
A AirShuttle: a peteca adaptada para o vento
A principal inovação do AirBadminton é a AirShuttle. Enquanto a peteca convencional utiliza penas de ganso e é extremamente sensível às correntes de ar, a nova versão foi produzida em material sintético e com design aerodinâmico exclusivo.
O equipamento foi projetado para suportar ventos de até 12 km/h, proporcionando maior estabilidade durante os pontos. Além disso, apresenta durabilidade superior, resistindo melhor ao contato com superfícies mais abrasivas e raquetes com tensões mais elevadas.
Quadra tem dimensões específicas e a chamada Zona Morta
O AirBadminton possui uma configuração de quadra própria. Nas disputas de duplas e trios, a área de jogo mede 16 metros de comprimento por 6 metros de largura. No simples, o comprimento é mantido, mas a largura é reduzida para 5 metros.
Uma das principais diferenças é a presença da Zona Morta (Dead Zone), uma faixa de 2 metros localizada logo após a rede em cada lado da quadra. Caso a AirShuttle caia nessa região, o ponto é considerado falta. A regra foi criada para estimular trocas mais longas e reduzir a influência do vento em jogadas curtas próximas à rede.
A altura da rede também varia conforme a superfície. Em quadras de grama ou asfalto, ela fica a 1,55 metro. Já na areia, a altura central é reduzida para 1,45 metro para compensar o afundamento dos atletas durante os deslocamentos.
Trios são uma das novidades da modalidade
Além das tradicionais disputas de simples (1×1) e duplas (2×2), o AirBadminton introduziu a categoria de trios (3×3), uma das características mais marcantes da modalidade.
Nesse formato, um jogador não pode tocar na AirShuttle duas vezes consecutivas. Após cada devolução, outro integrante da equipe deve realizar o próximo golpe. A regra exige comunicação constante, movimentação coordenada e estratégias coletivas mais complexas.
Sistema de pontuação e regras de saque
A recomendação da BWF é que as partidas sejam disputadas em melhor de cinco games, com cada set indo até nove pontos.
Quando o placar chega a 8 a 8, vence quem abrir dois pontos de vantagem ou quem alcançar primeiro os 11 pontos. As equipes também trocam de lado ao final de cada game e durante o set quando um dos lados atinge cinco pontos.
O saque apresenta diferenças importantes em relação ao badminton tradicional. Não existe divisão entre lado direito e esquerdo da quadra. O atleta deve sacar atrás da marca de três metros, indicada nas laterais, podendo direcionar a AirShuttle para qualquer área do campo adversário, desde que ela ultrapasse a Zona Morta.
Como começar a jogar
Quem deseja experimentar o AirBadminton não precisa adquirir uma nova raquete. Os modelos utilizados no badminton convencional podem ser usados normalmente.
A principal recomendação é reduzir a tensão das cordas para algo entre 18 e 20 libras (lbs), já que a AirShuttle é mais pesada e pode causar desgaste em encordoamentos muito rígidos.
Brasil já alcançou destaque internacional
Mesmo sendo uma modalidade recente, o AirBadminton já trouxe resultados expressivos para o esporte brasileiro.
Em 2025, a seleção nacional conquistou o título do Campeonato Pan-Americano por equipes, disputado em Lima, garantindo vaga para a primeira edição da Copa do Mundo da modalidade.
No Mundial realizado em dezembro, nos Emirados Árabes Unidos, o Brasil conquistou o título na categoria de trios masculinos com Deivid Silva, Izak Batalha e Matheus Voigt. A delegação brasileira também garantiu a medalha de bronze na competição por equipes.
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São Paulo, 16 de junho de 2026
João Pedro Camacho