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Novo sistema de pontuação no badminton divide opiniões

Foto-Reprodução: Istock

A Federação Mundial de Badminton (BWF) aprovou, no último sábado (25), a adoção do sistema de pontuação 3×15 durante a 87ª Assembleia Geral Anual, marcando uma mudança significativa na modalidade a partir de 2027. A decisão, que substitui o tradicional 3×21, foi tomada por maioria qualificada e gerou forte repercussão entre atletas, treinadores e integrantes da comunidade esportiva, incluindo reações divergentes no Brasil.

O novo formato mantém a definição das partidas em melhor de três sets, mas reduz a contagem de cada parcial para 15 pontos. Segundo a BWF, a mudança é fruto de um processo prolongado de testes, análises e consultas, com foco em inovação, bem-estar dos atletas e sustentabilidade das carreiras no esporte.

Durante o anúncio, a presidente da entidade, Khunying Patama Leeswadtrakul, destacou que a decisão representa um marco para o futuro do badminton. Leeswadtrakul também respondeu às críticas, reforçando que a essência da modalidade será preservada.

“Estamos construindo um esporte que dialoga com a próxima geração. O sistema 3×15 tem como objetivo proporcionar partidas mais emocionantes, competitivas e melhorar a programação dos jogos. 

Sabemos que mudanças podem gerar preocupação. Mas essa decisão não altera a natureza fundamental do badminton. A técnica, a tática, as exigências físicas e mentais, e o drama do esporte permanecerão”, declarou. 

Apesar do posicionamento institucional, a alteração não foi bem recebida por grande parte da comunidade brasileira. Em enquete realizada pelo Badbrothers no Instagram, com  a participação de 77 seguidores, 87% se posicionaram contra a mudança, enquanto 13% foram favoráveis.

Entre os atletas, a recepção também foi crítica. Jogadora da seleção brasileira de parabadminton, Bruna Vasconcellos demonstrou surpresa com a aprovação diante das manifestações contrárias e apontou incoerência na justificativa da entidade. 

“Fiquei um pouco assustada com a quantidade de votos a favor da mudança, considerando o volume de críticas que venho vendo. Me chama atenção a contradição da BWF ao justificar a mudança como uma forma de reduzir o desgaste físico dos atletas, enquanto o número de torneios no calendário segue aumentando”, afirmou ao Badbrothers. 

A atleta ainda destacou preocupação com o momento da implementação, prevista para janeiro de 2027, em meio ao ciclo olímpico e paralímpico.

“Implementar essa mudança justamente em um ano tão importante de corrida olímpica e paralímpica me parece arriscado. Espero que possamos ter torneios-teste com esse sistema no Brasil, para começarmos a nos adaptar. Vai ser um grande desafio”, completou. 

O técnico do Paulistano, Guilherme Kumasaka, também avaliou de forma negativa a alteração. Para o ex-atleta da seleção brasileira, jogos mais longos valorizam aspectos técnicos da modalidade. 

“Os atletas vão ter que entrar muito mais atentos desde o início do jogo. Se bobear já foi meio set. Imagino que possam apostar mais na potência do que na precisão, o que pode prejudicar quem utiliza mais golpes como clip smash, drop e rede”, explicou. 

Por outro lado, há quem veja benefícios no novo sistema. O coordenador de comunicação e eventos da CBBd, Hilton Fernando, defendeu a mudança ao considerar o impacto na organização dos torneios. 

“Com partidas mais curtas, o dia de competição acabará mais cedo, poupando também a saúde e o bem-estar de staff, organização e árbitros. Sou a favor porque o jogo tende a ficar mais rápido e dinâmico”, afirmou, acrescentando que o modelo atual dificulta jogos de longa duração. 

A BWF informou que continuará ouvindo membros, atletas e parceiros durante o período de transição até a implementação oficial, marcada para 4 de janeiro de 2027. No Brasil, a expectativa é que a CBBd e federações estaduais promovam competições adaptadas ao novo formato.

Enquanto isso, a mudança segue gerando debate e incertezas. Os efeitos práticos do sistema 3×15 só deverão ser compreendidos a partir da sua aplicação efetiva nas quadras ao redor do mundo.

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São Paulo, 30 de abril de 2026

João Pedro Camacho

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