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Mulheres no Badminton: histórias de resistência, inspiração e futuro em construção

Treinadora Fran Lima/Foto-Reprodução: Pinheiros/Matheus Roushinol

O badminton brasileiro tem se transformado em um espaço fértil para mulheres que sonham, desafiam padrões e encontram no esporte um lugar de pertencimento. Ainda minoria em cargos técnicos e no alto rendimento, escrevem trajetórias de superação que não se limitam às quadras, atravessam a maternidade, enfrentam preconceitos velados e se fortalecem na coletividade.

Inspirações que abrem caminhos

A presença de referências femininas foi determinante para que muitas das mulheres encontrassem motivação no esporte. A técnica Fran Lima, do Pinheiros, relembra a importância da treinadora Norma Rodrigues, ex-profissional da Seleção Brasileira de Badminton, em sua história:

“Quando eu comecei minha inspiração foi a Norma, ela tinha feito muitos cursos fora, passou uma época na Malásia, tinha uma bagagem muito grande de conhecimento. Eu era auxiliar dela e ela foi minha grande inspiração no começo da carreira”.

No outro extremo da linha do tempo, a jovem Elisa Fraga, atleta sub-15 do Campinas Badminton, carrega como inspiração Carolina Marín, tricampeã mundial e campeã olímpica. A espanhola, que coleciona títulos mesmo após graves lesões, é exemplo de resiliência para meninas que ainda estão descobrindo sua identidade no esporte.

O elo que une as duas histórias, de Fran e Elisa, é o mesmo: a certeza de que ver outras mulheres em posição de destaque abre portas e diminui o peso de se sentir minoria em um espaço dominado por homens.

Entre obstáculos e conquistas

A entrada no ambiente esportivo nem sempre é simples. Fran recorda que no início de sua carreira precisou vencer barreiras de confiança com atletas homens, pois duvidavam de seu potencial, por ser uma mulher:

“Sentia que os meninos não se sentiam tão à vontade comigo, mas com tempo e trabalho ganhei o respeito deles e foi ficando mais tranquilo”.

Mesmo sendo um esporte considerado mais inclusivo, por diferentes fatores como a existência de uma categoria que abrange um homem e um mulher em quadra, a dupla mista, além de salários e patrocínios serem equivalentes, ainda há ocasiões de desconforto no badminton. 

Em 2011, a Federação Mundial de Badminton (BWF) tentou impor uma regra que obrigaria as mulheres a jogarem de saia ou vestido, sob o argumento de tornar o espetáculo “mais atrativo”. A reação foi imediata: atletas do mundo todo denunciaram o caráter sexista da proposta e a medida acabou anulada.

Natalya Geisler, atleta do Pinheiros, lembra bem desse momento e aponta que, mesmo depois da derrota da regra, ainda existem casos de machismo velado, como comentários de colegas sobre cólicas menstruais ou a falsa ideia de que a dor deveria ser motivo de deboche. 

“Já aconteceu de ouvir comentários de meninos sobre cólica, imitando, debochando. Nunca deixei de treinar por dor, mas isso acontece com frequência e com várias amigas também”, relata.

Apesar desses episódios, o badminton brasileiro avançou em pontos em que outros esportes ainda patinam. Julia Ferreira, treinadora do Paulistano, destaca que o crescimento da modalidade aconteceu de forma simultânea entre homens e mulheres, diferente do futebol, em que o feminino ficou décadas atrás.

Igualdade de gênero no badminton

Mesmo com obstáculos e ainda se considerando minorias em competições nacionais, as jogadoras e técnicas reconhecem que o aumento da participação feminina é visível, ainda que desigual. Julia Ferreira comenta que em torneios o crescimento da presença feminina já é evidente:

“Analisando os campeonatos nacionais a gente vê que cresceu bastante o número de meninas praticando, é muito legal ver que elas têm começado desde cedo” 

Esse contexto de igualdade, se reflete na equipe nacional, onde a divisão dos treinos são entre simplistas e duplistas, não existe essa separação de gênero. Como afirma Jeisiane Alves, atleta da Hípica de Campinas e da Seleção Brasileira:  

“Homens e mulheres têm um bom destaque no badminton. Ambos têm uma visibilidade muito boa no esporte”.

A BWF e confederações nacionais também têm trabalhado em iniciativas para estimular a presença das mulheres em diferentes âmbitos do esporte. Fran Lima reforça que a entidade está investindo principalmente no aprimoramento feminino no meio técnico, mas acrescenta que ainda são um número pequeno comparado aos homens. 

A dupla jornada: maternidade e carreira

Conciliar vida pessoal e profissional é uma das maiores barreiras para mulheres no mercado de trabalho, isso fica evidente também quando são profissionais do esporte. 

A maternidade é um dos aspectos que torna a rotina de atletas e técnicas mais complexa, dividir as atenções entre competições, treinos e viagens com a criação dos filhos não é uma tarefa fácil. É a realidade de Fran Lima, que fala abertamente sobre a experiência de ser mãe enquanto seguia na carreira técnica:

“O clube (Pinheiros) me deu todo o apoio necessário, tive meu recesso certinho, mas foi um período difícil. Além de trabalhar, estava fazendo cursos do COB, estava na época da pandemia também, e ainda nos primeiros meses de gravidez. No final deu tudo certo, mas foi desafiador”.

Esse dilema não atinge apenas técnicas: várias atletas abandonam o esporte ao se tornarem mães, um contraste com a realidade masculina, onde a paternidade raramente é vista como obstáculo para seguir competindo.

O cenário no parabadminton

No parabadminton, a participação feminina é ainda mais reduzida. Esse panorama faz com que categorias como as duplas femininas e mistas fiquem prejudicadas, e por vezes, não estando presente em torneios. Adriane Ávila, atleta da Associação Atlética São Caetano do Sul (AASC) na classe SL3, destaca a importância do incentivo:

“Temos um número muito pequeno de mulheres no parabadminton. Não conseguimos formar duplas femininas e mistas porque temos poucas participantes”.

Mesmo assim, Adriane reconhece avanços recentes com projetos voltados para o fomento feminino no parabadminton por parte da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd).

O futuro em construção

Além de Juliana Viana, atual campeã pan-americana e destaque em Paris 2024, conquistando a primeira vitória do badminton feminino em Olimpíadas, outras jovens atletas da modalidade no Brasil, também estão demonstrando potencial, entretanto, não alcançando o patamar da piauiense. 

“A nível de Juliana Viana não existe nenhuma assim, mas estão surgindo aí a Vivian (Pinheiros), Saori (Paulistano), tem a Juliana Murosaki (Campinas Badminton), a Laura (Paulistano) também, são elas que vão dar continuidade aos pessoas da Juliana”, afirma Fran Lima

Um convite às meninas que sonham

Você, menina que está procurando uma modalidade para praticar, mas convive com inseguranças por conta da disparidade de gêneros no ambiente esportivo, o badminton se mostra um caminho acessível, diante do crescimento da inclusão feminina nesse esporte.

Adriane Ávila convida as jovens a experimentarem o esporte: “É só ir lá para a quadra bater duas vezes a peteca. Você não vai mais querer sair de dentro da quadra”.

O recado se repete nas palavras de Natalya: “Meu conselho seria: venha, pratique. Você vai ser bem acolhida, vai gostar, vai ter novas amizades e tenho certeza que vai adorar jogar badminton”.

Entre memórias, desafios e sonhos, as mulheres do badminton brasileiro seguem abrindo caminhos e mostrando que a peteca que sobe não é apenas de jogo, mas de resistência.

Confira as entrevistas completas a seguir:

Fran Lima – Treinadora do Pinheiros

Natalya Geisler – Atleta do Pinheiros

Adriane Ávila – Atleta da Associação Atlética São Caetano do Sul (AASC) na classe SL3

Julia Ferreira – Treinadora do Paulistano

Elisa Fraga – Atleta sub-15 do Campinas Badmiton

Jeisiane Alves – Atleta da Hípica de Campinas e da Seleção Brasileira

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São Paulo, 10 de outubro de 2025

João Pedro Camacho e Maria Eduarda Ribeiro

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